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Verme escarlate: a palavra que liga o tabernáculo à cruz

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Verme escarlate: a palavra que liga o tabernáculo à cruz


Existe um versículo em Yeshayahu, ou Isaías, capítulo 41, versículo 14, que soa estranho na primeira leitura. Deus chama Yaakov, ou Jacó, de verme.

Não temas, verme de Jacó. É esquisito, até você olhar a palavra que está ali.

Fonte: (Acervo pessoal/Fruit for Sanctification)

A palavra não é qualquer verme

O termo é תּוֹלַעַת, tola'at. E ele não é um nome genérico para bicho rastejante. É a palavra do verme do carmesim, aquele de onde se extraía o corante escarlate mais valioso do mundo antigo.








Isso muda o versículo inteiro. Chamar alguém de tola'at não é só apontar fragilidade. É apontar para o pequeno ser de onde saía o vermelho das coisas santas.


Onde esse vermelho aparece

Siga a expressão tola'at shani pela Torá e um padrão se desenha sozinho.

Está nas cortinas do tabernáculo. Está nas vestes do sumo sacerdote, junto com o azul e a púrpura. Está no ritual de purificação do leproso, ao lado da madeira de cedro e do hissopo. E está na cerimônia da novilha vermelha, de novo com cedro e hissopo.

Fonte: (Acervo pessoal/Fruit for Sanctification)

Cobertura, sacerdócio e purificação. O carmesim aparece exatamente onde alguém está sendo coberto ou tornado limpo para se aproximar.

E o vermelho daquelas vestes não era tinta mineral. Vinha do corpo de uma criatura.

O que a criatura faz

É uma cochonilha do gênero Kermes, que vive em carvalhos do Mediterrâneo, e na terra de Israel numa espécie local de carvalho.

Quando chega a hora de gerar, a fêmea sobe e se prende à madeira. E se prende de um jeito que não tem volta: a fixação é tão firme que só é possível arrancá-la destruindo o próprio corpo. Debaixo dela ficam os ovos, protegidos pela carapaça que ela formou sobre si.

Ela morre presa ao lenho. E é do corpo dela, seco, que se extraía o vermelho.

Não é preciso acrescentar nada a isso. Uma criatura que se fixa à madeira de onde não sairá viva, cobre os filhos com o próprio corpo, e cujo sangue tinge o que há de mais sagrado em Israel.

E então o Salmo 22

Na cruz, Yeshua clama as palavras de abertura do Salmo 22, escrito séculos antes: meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste.

Quem ouvia aquilo conhecia o salmo inteiro. Sabia que ele fala de mãos e pés traspassados, de ossos que se podem contar, de vestes sorteadas.

E sabia do versículo 6: וְאָנֹכִי תוֹלַעַת וְלֹא־אִישׁ, ve'anochi tola'at velo ish. E eu sou um verme, e não homem.

A mesma palavra. Não um verme qualquer, escolhido para expressar desprezo. O tola'at, a criatura do carmesim, dita por alguém preso a um madeiro.

Isaías 1:18

Falta uma peça, e ela fecha tudo sem precisar de mais nada.

Fonte: (Acervo pessoal/Fruit for Sanctification)

No convite mais conhecido da Escritura, Isaías escreve: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, shani, se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, tola, ficarão como a lã.

As duas palavras do carmesim estão ali, lado a lado, na mesma frase que a neve e a lã. O vermelho que vinha da criatura, e a promessa de que ele daria lugar ao branco.

Isso está no hebraico. Dá para conferir com uma concordância na mão, hoje, em cinco minutos.


O que isso diz de Yeshua

Até aqui eu tratei da palavra. Agora quero dizer por que ela me tira o fôlego.

A criatura sobe até a madeira. Ninguém a leva. Ela se prende ali por causa dos filhos, e se prende de um jeito que não admite volta.

Não foram os pregos que seguraram Yeshua na cruz. Ele podia ter descido. A carta aos Hebreus fala da alegria que lhe estava proposta, e o próprio Yeshua diz que ninguém tira dele a vida, mas que ele a dá por si mesmo. A fixação foi decisão, não força.

Fonte: (Acervo pessoal/Fruit for Sanctification)

E o carmesim sai do corpo. Yeshayahu, no capítulo 53, já tinha escrito que ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades. O verbo é esse: moído. Aquilo que se esmaga para que a cor apareça.

Depois o vermelho cobre. Nas cortinas, nas vestes, no rito do leproso, na cerimônia da novilha. E em nós, que fomos cobertos por sangue que não é nosso.

Preciso ser claro sobre o tipo de afirmação que estou fazendo. Isto é leitura tipológica: a criatura aponta, e não prova. A obra de Yeshua não depende de entomologia, e não seria menor se o carmesim viesse de uma pedra. O que a palavra faz é atravessar a Escritura carregando a mesma cor até o lugar onde ela é derramada de vez.

E o que isso pede de você

Tem uma parte dessa figura que a gente prefere não olhar.

Yeshua disse que quem quer segui-lo negue a si mesmo, tome a sua cruz cada dia, e venha após ele. Cada dia. Não é imagem só do que ele fez por nós; é imagem do que ele chama a gente a ser.

Uma vida que se prende a alguma coisa e não desiste dela. Que gasta o próprio corpo para que outros vivam. Que troca o escarlate pela lã, e não guarda nada para si.


Onde eu paro

Uma palavra atravessa a Escritura inteira ligando o tabernáculo, o sacerdócio, a purificação do impuro, o consolo de Jacó, o salmo da crucificação e a promessa de perdão. Sempre a mesma palavra. Sempre a mesma cor.

E ela vem de uma criatura que sobe à madeira e não sai de lá.

Da próxima vez que você ler as instruções do tabernáculo e passar por cima do escarlate como se fosse detalhe decorativo, pare um segundo. Aquele vermelho tinha origem. E aponta para uma só direção.

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